Desafios clínicos no tratamento do paciente com TPB - Sinopsys Editora

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Desafios clínicos no tratamento do paciente com TPB

Desafios clínicos no tratamento do paciente com TPB

13 de Maio de 2021

O Transtorno de Personalidade Borderline vem sendo considerado ao longo do tempo um dos distúrbios mentais mais difíceis de se tratar. Ainda que diversas modalidades de psicoterapia sejam efetivas para o tratamento do TPB, pacientes com esse diagnóstico costumam ser vistos como um desafio aos psicoterapeutas.

Para trazer maiores esclarecimentos sobre o tema, a Sinopsys Editora promoveu uma live intitulada `Borderline e os desafios clínicos no tratamento’. O convidado especial é o psicólogo Vinícius Guimarães Dornelles, primeiro treinador de DBT (Terapia Comportamental Dialética) nativo de língua portuguesa do mundo.

Gaúcho radicado em São Paulo/SP, Vinícius é sócio-diretor da DBT Brasil, organização tutelada pelo Behavioral Tech (Seattle-EUA) que capacita profissionais da saúde mental a desenvolverem a abordagem da DBT. Também é um dos responsáveis por trazer ao Brasil a abordagem da psicóloga norte-americana Marsha Linehan, criadora da Terapia Comportamental Dialética, uma das mais adotadas para tratar o TPB.


PADRÕES

Conforme o DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) da APA (Associação Americana de Psiquiatria), os transtornos de personalidade implicam padrões disfuncionais de percepção, relação e pensamento sobre si mesmo e outros expressos em contextos sociais e interpessoais.

Os padrões relacionais mal-adaptativos dos pacientes com TPB influenciam, não só nas relações com a família e amigos, mas, inclusive, no relacionamento terapêutico, resultando, entre outros fatores, em dificuldades no estabelecimento e na manutenção da aliança terapêutica e na adesão ao tratamento.

Por isso, o modo como o terapeuta responde às dificuldades interpessoais e à desregulação emocional desses indivíduos é crucial para determinar o sucesso ou o insucesso do tratamento.

EQUILÍBRIO


Durante a live, Vinícius afirma que o maior desafio clínico que existe no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline consiste em conseguir encontrar um equilíbrio dialético entre aceitação e mudança. Isso inclui o terapeuta saber se movimentar quando tem que ir para uma postura maior de aceitação, quando vai trabalhar elementos maiores de mudança.

É também saber em que momentos terá que ser mais firme ou expressar o quanto acredita no paciente; o quanto vai ter que flexibilizar situações em que percebe que o indivíduo ainda não está pronto para lidar com elas; o quanto vai ter que exigir e quando nutrir o paciente.

"Trata-se de um tratamento riquíssimo e lindíssimo, mas que requer muito do terapeuta. Penso que ter essa capacidade, essa flexibilidade, saber fluir com o processo terapêutico, é realmente a parte mais complexa do tratamento do TPB", complementa.

Para ele, as técnicas em si não são difíceis em geral. "O problema é encaixá-las exatamente no momento em que elas têm que ser encaixadas. É isso estar dentro do processo fazendo com que ele tenha movimento, fluxo, velocidade e que a gente consiga fazer o paciente fluir dentro dele. Essa é a parte complexa", avalia.

Entre vários outros assuntos a respeito dos quais foi perguntado pelos participantes da live, Vinícius falou sobre como o terapeuta deve proceder quando o paciente resiste ao diagnóstico do Transtorno de Personalidade Borderline. Nesse caso, segundo ele, é preciso deixar claro para o indivíduo que o caminho do tratamento é o de ensinar novas formas de lidar com os problemas da vida.

"A grande questão aqui não é tratar o diagnóstico em si, mas, sim, trabalhar para que os pacientes tenham vidas dignas, vidas importantes, vidas que sirvam para que eles não pensem em se matar por exemplo", ressalta.

SAÚDE UNIVERSAL


O psicólogo também destacou a importância e a necessidade de valorização do SUS (Sistema Único de Saúde) no tratamento de pacientes com TPB, lembrando que o Brasil é um dos poucos países do mundo a ter saúde universal. "Para se ter uma ideia clara sobre estatísticas, a presença de um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) no município diminui em até 14% o risco de suicídio nessa população", frisa.

Conforme Vinícius, os profissionais que trabalham no SUS, na sua maior parte, são altamente qualificados e dedicados a realmente ajudar as pessoas. "A estrutura pode não ser boa, mas o modelo de saúde pública no Brasil é muito bem pensado e excelente. E a DBT é uma terapia que se encaixa nas diretrizes do SUS, em especial, os treinamentos de habilidades, porque a nossa meta não é reduzir quadros diagnósticos e sintomas. Isso é consequência do nosso trabalho. Nosso foco é qualidade de vida e bem-estar", comenta.

O psicólogo afirma que é preciso trazer cada vez mais a lógica de tratamento mental para o aspecto da saúde pública. "A gente tem um problema no Brasil que é a elitização da saúde mental. Quando a maior parte dos transtornos que nós trabalhamos são justamente de pessoas que têm dificuldades em relação a trabalho, em relação a questões econômicas. Que não têm dinheiro para pagar", constata. Acesse a live na íntegra no canal da Sinopsys Editora no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=ECQngZ7STng&t=9s.

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