Quais as cinco regras da psicoterapia analítica funcional (FAP)?
18 de Janeiro de 2023
A psicoterapia analítica funcional (FAP, do inglês functional analytic psychotherapy) é guiada, momento a momento, pelo pensamento funcional e ocorre por meio de cinco regras básicas a serem seguidas pelo terapeuta: observar o comportamento clinicamente relevante (CCR), evocar o CCR, reforçar o CCR2 (melhora em relação ao CCR1, que é o comportamento-problema), observar seu efeito e prover estratégias de generalização.
Observar e estar atento à emissão de possíveis CCRs é o início do processo terapêutico, moldando como os profissionais veem seus clientes e como irão desenvolver a conceituação de caso. Essa primeira regra fundamenta todas as outras regras da FAP, e, tecnicamente, estar atento aos CCRs é sobre conseguir distinguir qual comportamento do cliente é um CCR1 e qual é um CCR2.
Após ter conhecimento de quais são os CCRs do cliente, o terapeuta FAP deve criar uma atmosfera em que eles serão evocados (segunda regra). A relação terapeuta-cliente, principalmente no início da terapia, evoca os CCRs do cliente, dos quais espera-se que, com o progresso terapêutico, diminuam e abram espaço para os CCRs2.
REFORÇO
Por sua vez, a resposta contingente do terapeuta aos CCRs do cliente é o mecanismo de mudança da psicoterapia analítica funcional. Entende-se que reforçar de modo genuíno o CCR2 é eficaz, uma vez que é sabido que, quanto mais próximo no tempo e no espaço uma consequência for apresentada a determinado comportamento, maior é o seu efeito sobre ele.
Para os autores da FAP, a única maneira de o terapeuta saber se sua resposta foi reforçadora para o cliente, ou seja, se conseguiu aplicar a terceira regra, é observando seu efeito no comportamento-alvo. Uma estratégia possível para estabelecera a quarta regra é perguntar ao cliente como ele se sentiu após determinada fala ou momento na terapia.
GENERALIZAÇÃO
O objetivo da terapia é que a mudança de comportamento ocorra também fora da sessão, de modo que se mantenha e seja possível o próprio fim do processo terapêutico. Sendo assim, o terapeuta FAP deve auxiliar seu cliente na interpretação funcional de seus comportamentos-alvos em sessão para que ocorra essa generalização extraconsultório do repertório aprendido (quinta regra).
Estabelecer paralelos entre os comportamentos observados em sessão e os comportamentos da vida cotidiana do cliente auxiliam tanto na generalização dos ganhos ocorridos na sessão quanto na identificação de CCRs.
RECURSO
Ser evocativo de modo a despertar os comportamentos-alvo dos clientes pode ser desafiador até para o clínico mais experiente. Por isso, as psicólogas Pricila Albrecht Bornholdt e Camilla Volpato Broering criaram o “Baralho da FAP: psicoterapia analítica funcional”, publicado pela Sinopsys Editora.
A ferramenta tem como objetivo auxiliar o psicólogo clínico que já tem conhecimento sobre a FAP a fazer evocações em sessão. Por sua natureza, também pode colaborar de forma complementar na explicação básica acerca das características próprias da terapia, permitindo ao profissional ser flexível para evocar conteúdos e fazer intervenções personalizadas para cada cliente.
