Síndrome de burnout em docentes
26 de Janeiro de 2023
A importância de se verificar a síndrome de burnout em docentes não se dá apenas pelos transtornos físicos e psicológicos aos quais os professores ficam expostos, mas também pelo que acarreta nos alunos e no ambiente escolar, ocasionando consequências prejudiciais a toda comunidade acadêmica.
Investigações têm apontado que os docentes são maioria entre os profissionais que se afastam por motivos de saúde. Observando as condições de trabalho da categoria, é possível entender por que os professores adoecem.
Os ambientes laborais com alta pressão por resultados, com elevada exigência e responsabilidade, frequentemente aliados à reduzida capacidade de decisão e baixa remuneração, são propícios ao desenvolvimento de estresse ocupacional e, consequentemente, à síndrome de burnout. As escolas se encaixam perfeitamente nessa condição.
PERSONALIDADE
Mas não somente as condições laborais são elementos essenciais para o desencadeamento da síndrome de burnout. Algumas características de personalidade também possuem relevância, tendo um papel secundário, sendo consideradas mais um componente facilitador no processo.
De modo geral, nota-se que pessoas predispostas a desenvolverem burnout são idealistas, altamente motivadas, perfeccionistas, que não medem esforços para atingirem seus objetivos, atributos essenciais de um bom educador, mas que o tornam suscetível a sucumbir a um ambiente laboral pernicioso.
PREVALÊNCIA
É difícil estimar a incidência e/ou prevalência da síndrome de burnout em docentes. No Brasil, sabe-se que muitos casos aparecem nas estatísticas oficiais como estresse e/ou depressão, pela insegurança ou desconhecimento de alguns profissionais da saúde para atribuírem tal diagnóstico.
Entretanto, alguns estudos apontam maior incidência da síndrome de burnout entre os professores mais jovens, bem como constatam que cerca de 65,93% dos docentes pesquisados têm o desejo de mudar de profissão.
Por outro lado, de modo geral, as investigações alcançam apenas os profissionais que se encontram em atividade, de forma que os afastados por motivo de saúde não aparecem entre os dados.
Sendo assim, verifica-se que, além de critérios metodológicos cuidadosos, há a necessidade de emprego de estratégias que possam minimizar essas dificuldades e eliminar resultados subestimados.
Abarcar os que se dedicam à educação e investigar como esses se encontram é fundamental para que ações efetivas de prevenção e combate à síndrome de burnout em docentes possam ser implementadas.
LEITURA
O livro “Terapia cognitivo-comportamental na síndrome de burnout: conceitualização e intervenções”, organizado pela psicóloga Anelisa Vaz de Carvalho e publicado pela Sinopsys Editora, representa uma valiosa contribuição sobre esse transtorno relacionado ao trabalho.
Seu conteúdo, apresentado em 15 capítulos por especialistas de diferentes países, oferece o estado da arte sobre revisão teórica, empírica e prática clínica relacionadas ao transtorno, conferindo à publicação um status teórico-empírico internacional.
A obra é recomendada não somente a professores e pesquisadores, mas também a graduandos das áreas de saúde e empresarial interessados no tema.
