Conheça mais sobre a TREC - Teoria Racional-Emotiva Comportamental - Sinopsys Editora

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Conheça mais sobre a TREC - Teoria Racional-Emotiva Comportamental

Conheça mais sobre a TREC - Teoria Racional-Emotiva Comportamental

18 de Março de 2019

Você sabe o que é TREC? Criada pelo psicólogo Albert Ellis, a Teoria Racional-Emotiva Comportamental é considerada uma das muitas vertentes da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Ele desenvolveu a teoria a partir de estudos e do cruzamento de teorias de pesquisadores como Karen Horney ("tirania dos deverias", 1939), Alfred Adler (papel desempenhado pelo sentimento de inferioridade; decisões com perspectiva mais humanista; 1927) e Alfred Korzybski (efeitos da linguagem nos pensamentos), e também sob a perspectiva de terapeutas comportamentais como Dunlap (1932), Jones (1924) e Watson e Rayner (1920). 

A TREC tem, ainda, a influência de filósofos gregos e romanos (como Epicuro e Marco Aurélio), dos asiáticos (como Confúcio e Lao-Tse) e dos mais contemporâneos (Schopenhauer e Kant). Tanto que parte da frase de Epíteto "Os homens não se perturbam pelas coisas, mas sim pela visão que têm delas" para inspirar a fórmula inicial de sua teoria. 

A partir de todos estes estudos, análises e pesquisas, Ellis apresentou, em 1955, o conceito de "Terapia Racional" e lança uma nova corrente cognitiva nas psicoterapias, "enfatizando que as pessoas sentem e se comportam em função de como pensam" (DELGADO, 2019, in: LIPP, LOPES, SPADARI, p.16) e formulando o conceito de mediação cognitiva, o qual tem grande respaldo científico na atualidade. 


Para mostrar que a sua Terapia Racional não era apenas vinculada às crenças dos pacientes e que também dava atenção às emoções, em 1961 Ellis ampliou o nome da teoria para Terapia Racional-Emotiva. Já em 1996, finalmente ele a denominou Teoria Racional-Emotiva Comportamental "para ressaltar que a conduta sempre foi igualmente um objetivo de tratamento e que as técnicas comportamentais sempre haviam sido e serão necessárias para a mudança". (DELGADO, 2019, in: LIPP, LOPES, SPADARI, p.16). 

Ellis foi o primeiro a adotar a suposição de que as mudanças emocionais e comportamentais das pessoas são ocasionadas pela interpretação que elas dão aos acontecimentos. As situações fazem com que as pessoas produzam crenças racionais ou irracionais - "dependendo da racionalidade ou irracionalidade delas, as reações emocionais podem ser apropriadas (tristeza, irritação, medo, tédio) ou inapropriadas (depressão, ira ou fúria, pânico)" (RANGÉ, 2019, in: LIPP, LOPES, SPADARI, p.11) - as quais resultam em comportamentos saudáveis ou problemáticos.   

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA TREC:

1. As cognições são o determinante mais importante das nossas emoções.

2. O pensamento irracional é o determinante principal das nossas perturbações emocionais.

3. A maneira mais efetiva de mudar nossas perturbações irracionais começa com uma análise e mudança de nossos pensamentos e irracionais.

4. Fatores como as predisposições genéticas e as influências ambientais são os antecedentes do pensamento e racional e da psicopatologia.

5. A TREC distingue entre dois tipos diferentes de emoções em resposta a evento negativos.

6. A TREC enfatiza o presente ou as influências atuais nas emoções e no comportamento das pessoas e não nas influências do passado.

7. As crenças podem mudar, no entanto a mudança não pode ser simples.

  
Albert Ellis também foi o responsável pelo desenvolvimento do que ficou conhecido como "Modelo A-B-C", o qual baseia-se nas relações entre os Antecedentes, Beliefs (crenças, em inglês) e Consequências (emocionais e comportamentais).  

Hirata (2019, in: LIPP, LOPES, SPADARI, p.26) exemplifica o Modelo A-B-C a partir da avaliação de um paciente com transtorno do pânico: 




"O evento ativador (A) é composto do evento em si e da inferência que se faz sobre ele, por exemplo `se estou tendo taquicardia, posso morrer’. No B, temos a ativação das crenças irracionais, caracterizada por um `tenho que’ ou `é terrível’.  C é a consequência emocional e física". (HIRATA, 2019, in: LIPP, LOPES, SPADARI, p.261) 

Em artigo (publicado em LIPP, LOPES, SPADARI, 2019), Hirata destaca que Ellis propôs a extensão do Modelo A-B-C ao considerar que, na sequência, há o (D) debate racional emotivo, no qual o paciente analisa o quão verdadeiras ou falsas são as cognições, e a (E) verificação dos seus efeitos (como as reflexões do debate podem colaborar com o entendimento da situação). 

A TREC pode ser aplicada em pacientes de faixas etárias diversas que tenham os mais variados tipos de problemas emocionais, incluindo a atenção à pacientes suicidas, com dor crônica, câncer, estresse, estresse pós-traumático, transtorno depressivos e transtorno obsessivo-compulsivo, transtornos de ansiedade, de alimentação e TDAH, e também em casos de dependência amorosa, luto, treinamento em habilidades sociais, timidez, terapia com idosos, de casais e familiar. 

QUER ENTENDER MELHOR COMO TRABALHAR COM A TREC NA PRÁTICA CLÍNICA?


Conheça o livro "Terapia Racional-Emotiva Comportamental na teoria e na prática clínica", organizado por Marilda Emmanuel Novaes Lipp, Tátila Martins Lopes e Gabriela Fabbro Spadari. 


A publicação traz a teoria da TREC associada a apresentação de casos clínicos tratados a partir dos conceitos da abordagem, servindo como apoio para o terapeuta usar os fundamentos e as técnicas da TREC no tratamento de crianças, adolescentes e adultos. 
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Tags

prática clínica, psicologia, TREC, Teoria Racional-Emotiva Comportamental

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