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Cinco perguntas para Vânia Calazans

15 de Janeiro de 2018

Recentemente conversamos com Vânia Calazans sobre o livro "Mente impulsiva, comportamento explosivo: Transtorno Explosivo Intermitente". A obra, que traz informações importantes para profissionais da saúde mas também para o público em geral interessado no tema, algo essencial se considerarmos que, no Brasil, o TEI permanece pouco conhecido e as pesquisas a respeito são limitadas. 


Nessa entrevista, Vânia Calazans responde a cinco perguntas essenciais para entender o transtorno explosivo intermitente, assunto que deve despertar o interesse de profissionais da área da saúde mental para que se produzam mais estudos e pesquisas sobre o tema no Brasil. 


1-Como podemos identificar o transtorno explosivo intermitente?
O transtorno explosivo intermitente, ou TEI, é um transtorno psiquiátrico caracterizado por falhas em gerenciar os impulsos agressivos. As pessoas acometidas pelo TEI apresentam comportamentos agressivos e impulsivos, que nunca são premeditados e sempre são muito desproporcionais ao evento estressor. Ou seja, a reação que estas pessoas têm de explosão, de raiva é sempre muito maior do que a situação ocasiona. 
Um exemplo seria aquela pessoa que arremessa o notebook longe quando está trabalhando online e a internet cai por um curto período. Nestes casos, são pessoas com dificuldades de administrar frustrações e reagem de forma impulsiva e agressiva. Sempre lembrando que as explosões de raiva precisam ter uma periodicidade comprovada para serem consideradas patológicas.

2- O estresse é o principal gatilho para o TEI?
O estresse nunca é a causa do TEI, ele é um gatilho. É importante lembrar que estresse é qualquer coisa que desequilibre o humor do indivíduo, podendo ser uma situação boa ou ruim. Assim, aquela viagem dos sonhos, pela qual a pessoa espera há meses, pode se tornar um estresse se a pessoa ficar preocupada com o horário de voo, com o que pôs na mala...
O estresse é considerado um dos maiores gatilhos do TEI porque a pessoa que tem o transtorno sempre entende a situação que está vivenciando como a causadora da reação explosiva. Naquele momento ela interpreta desta maneira. 
Qualquer situação, inclusive a mais banal como a demora na fila do mercado, pode desencadear o TEI. Necessariamente, não precisa ser uma situação difícil e a pessoa que sofre de TEI sempre interpreta que o outro foi responsável por ela ter perdido o controle.

3- Qual é o tratamento indicado para o TEI?
Pesquisas e literaturas científicas demonstram que o tratamento indicado para o TEI é a terapia cognitivo-comportamental, abordagem da Psicologia associada a técnicas de respiração e relaxamento. Com meus pacientes, eu associo a hipnose e a hipnoterapia cognitiva como uma ferramenta complementar do tratamento, pois a hipnoterapia cognitiva também propicia um estado de relaxamento muito interessante e facilita muito o tratamento destes pacientes. 
A necessidade do uso de medicamento depende de uma avaliação psiquiátrica. Se o psicólogo entende que o paciente pode se beneficiar de um tratamento medicamentoso, ele encaminha ao psiquiatra para que este avalie e defina se há necessidade do uso da medicação e qual é a medicação mais adequada.

4 - O TEI tem cura? 
Nós ainda não podemos falar em cura. Apesar de nos Estados Unidos as pesquisas sobre o TEI datarem dos anos 1970, para falar em cura precisamos acompanhar os pacientes ao longo de muitos anos. No Brasil, temos 10, 11 anos de estudos, então ainda não temos esses dados. O que falamos é em gerenciamento do transtorno. O tratamento melhora a qualidade de vida do paciente e das pessoas com quem ele convive, pois ele aprende a gerenciar o TEI e consegue ter uma vida normal e tranquila.

5 - O que você diria para quem sofre com esse problema?
Se você acha que tem sintomas que podem fazer ser transtorno explosivo intermitente, procure ajuda de um profissional que você conheça ou tenha uma referência e que seja de sua confiança. Conte a ele suas dúvidas e sua percepção e faça o tratamento que ele recomendar, se for o caso. Os tratamentos têm resultados excelentes e você não vai demorar a identificar essa melhora, os benefícios vêm logo no início do tratamento, que tem resultados muito positivos. 
E se você conhece alguém que tenha traços de TEI, ofereça informação. Mas fica um alerta: não insista, o importante é que o próprio paciente tenha consciência e opte pelo tratamento.


Sobre a autora


Vânia Calazans é Psicóloga Clínica Especialista pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPQ/FMUSP), onde também se especializou em Terapia Cognitivo--Comportamental. Também é Especialista em Psicoterapia Psicossomática pela Associação Brasileira de Medicina Psicossomática pela ABMP/SP e em Hipnoterapia Cognitiva e Hipnose Clínica pelo Instituto Cognicci de Porto Alegre (RS).


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Tags

entrevista, comportamento, transtorno explosivo intermitente, terapia cognitivo-comportamental

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