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Como nos relacionamos com o trânsito: uma reflexão sobre o Maio Amarelo

07 de Maio de 2020

por William Fiuza e Marina Marcon*

De uma forma ou de outra, todos nós dependemos e fazemos parte do trânsito. Pedestres, ciclistas, passageiros, motoristas de automóveis, motos e transporte coletivo compartilham e convivem diariamente nesse meio de circulação em que estamos obrigatoriamente envolvidos em interações, por meio das quais todos nós nos relacionamos uns com os outros.

Essas relações podem ser positivas e saudáveis, garantindo os benefícios do trânsito que nos permite a mobilidade, lazer, facilidades e - para muitas pessoas - a realização de seu trabalho. Por outro lado, o trânsito também pode ser um ambiente de tensões e conflitos. Impaciência, congestionamentos e a pressa são questões que fazem com que o trânsito seja um espaço desagradável e estressante para algumas pessoas.

Ao entendermos que o trânsito é composto por seres humanos, podemos também perceber que os aspectos psicológicos envolvidos nesse contexto são extremamente importantes. Para a psicologia, as demandas presentes no trânsito são diversas. O medo de dirigir, temática que trabalhamos e dedicamos nossos estudos, é apenas uma delas. Pesquisas têm tentado compreender esse contexto, desde a avaliação de novos motoristas, até o seu comportamento ao dirigir e a percepção de risco existente (ou não) em fenômenos como: uso de substâncias antes de dirigir, uso de aplicativos enquanto dirige, atitudes hostis no trânsito, entre outros. 

Cada uma dessas questões possui particularidades e aspectos associados. Entretanto, existem alguns fenômenos comuns que podem - de modo geral - fazer parte dessa atmosfera muitas vezes agressiva que encontramos no trânsito. Os estilos de vida cada vez mais atarefados e com urgência nas atividades particulares, além das vias públicas compostas por cada vez mais pessoas circulando, podem ser componentes importantes nesse contexto. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o número de pessoas que trabalha com veículos (como motoristas de aplicativo, taxistas, trocadores de ônibus, etc), aumentou 29,2% em 2018, chegando a 3,6 milhões de pessoas - sendo 810 mil delas a mais do que em 2017. Já pessoas trabalhando em vias públicas (como vendedores), aumentou em 12%, somando 2,3 milhões de pessoas..

Acreditamos que um dos principais fatores que precisa de intervenções seja a falta de coletivismo. O clima de competição e falta de empatia no trânsito são um reflexo da nossa sociedade como um todo e comprometem a tranquilidade e o bem-estar ao ir e vir. A inaptidão para expressar, de forma assertiva, as emoções negativas como a raiva e a irritação estão entre as problemáticas que permeiam as relações, não apenas no trânsito, mas em diversas áreas da vida de muitas pessoas. Para quem está no processo de aprender a dirigir ou pessoas que possuem medo da direção, estes fatores interferem diretamente na autoconfiança, mesmo que digam mais sobre a personalidade de quem agiu sem tolerância do que sobre quem tem medo.

É de responsabilidade de todos nós termos respeito e agirmos com prudência no trânsito. Enquanto ciência psicológica, é essencial que possamos refletir cada vez mais sobre esses temas e possamos discutir ações e intervenções que ajudem efetivamente na transformação da cultura existente no trânsito. Esse espaço tão importante pode sim ser vivenciado de forma mais leve, cooperativa, fluida e saudável. Que nesse maio amarelo possamos nos perguntar enquanto profissionais e pessoas envolvidas no trânsito: de que forma podemos começar?


* Sobre os autores:
Marina Marcon é psicóloga clínica e cursa Especialização Avançada Pós Universitária em TCC no Instituto Português de Psicologia e Outras Ciências. William Fiuza é psicólogo clínico especialista em TCC pelo Instituto Catarinense de Terapias Cognitivas. Juntos, trabalham e estudam, desde a graduação, a TCC, o trabalho com grupos e a ansiedade. São idealizadores do Programa Supere o Medo de Dirigir, que oferece atendimentos individuais e em grupo para pessoas, habilitadas ou não, que tenham medo de dirigir, além de palestras, supervisão clínica para psicólogos e treinamentos para instrutores de trânsito.

Leituras complementares:
  • Clapp, J.D., Olsen, S.A., Danoff-Burg, S., Hagewood, J.H., Hickling, E.J., Hwang, V.S. & Beck, J.G. (2011). Factors contributing to anxious driving behavior: The role of stress history and accident severity. Journal of anxiety disorders, 25, 592-598. doi: 10.1016/j.anxdis.2011.01.008
  • Cruz, R.M., Wit, P.A.J.M. & Souza, C.Z. (2017). Manual de psicologia do trânsito (1a. Ed.). São Paulo, SP: Nila Press.
  • Geldstein, R.N., Leo, P.F.D. & Margarido, S.R. (2011). Género, violência y riesgo en el trânsito. Physis Revista de Saúde Coletiva, 21(2), 695-720. 
  • Lu, J., Xie, X., & Zhang, R. (2013). Focusing on aprraisals: how and why anger and fear influence driving risk perception. Journal of Safety Research, 45, 65-73. Doi:  10.1016/j.jsr.2013.01.009
  • Nakano, T.C. & Sampaio, M.H.L. (2016). Desempenho em inteligência: atenção concentrada e personalidade de diferentes grupos de motoristas. Psico-USF, 21(1), 147-161. Doi: 10.1590/1413-82712016210113
  • Truelove, V., Freeman, J. & Davey, J. (2019)."I Snapchat and Drive!" A mixed methods approach examining snapchat use while driving and deterrent perceptions among young adults. Accident Analysis & Prevention, 131, 146-156. Doi: 10.1016/j.aap.2019.06.008

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Tags

maio amarelo, medo de dirigir, psicoeducação, psicologia

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