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Consumo, consumismo e Psicologia: apontamentos gerais

07 de Novembro de 2019

 
Atualmente, muito se fala sobre a relação que nós, enquanto pessoas, temos com os objetos. A forma como consumimos e descartamos, a sustentabilidade, o consumismo, o endividamento são pautas recorrentes na mídia, nas rodas de conversa e, provavelmente, no seu consultório. Por que consumimos? Para ter e mostrar? Para fazer parte de algo maior? Para ser feliz? E quando isso se torna um problema? Como tratar? Estas e outras perguntas podem fazer parte da sua rotina profissional, pois são questões totalmente alinhadas à contemporaneidade.

Nalini e Coelho (2017) recorrem a diversos autores, como Sahlins (2006), McCraken (2003; 2007) e Douglas e Isherwood (2006), para explicar o que são bens de consumo: "eles são vistos como artefatos culturais criados com a finalidade de expressar singularidades individuais e coletivas, e classificações de pertença". Ou seja, mais do que um objeto, eles carregam um simbolismo e a capacidade de envio de mensagem em conjunto. 

Dessa forma, o consumo não é só um processo comercial de compra e venda: "é uma ação ativa de relação com os objetos, com o grupo e com o mundo e assim torna-se o consumo uma atividade de manipulação sistemática de signos" (NALINI; COELHO, 2017). 

Bauman (2008) compreende como consumo o ato ou o efeito de consumir: um elemento de sobrevivência biológica que faz parte do psicológico das pessoas e se situa entre as mais básicas e remotas atividades do ser humano. Barbosa (2006) lembra que até podemos viver sem produzir, mas que viver sem consumir é praticamente impossível, pois o ser humano depende do consumo para garantir sua sobrevivência.

Nessa relação complexa, pode ocorrer uma transformação no entendimento do objeto consumido: ele deixa de ser algo supérfluo e se transforma em algo necessário ou indispensável. Nalini e Coelho (2017) comentam que, para entender a prática do consumismo, precisamos observar o contexto econômico, social e político de uma sociedade. É o contexto do sujeito que nos dá a ideia do que é feito em excesso ou não. Por isso, ao analisarmos as transformações de curto prazo que as sociedades passam temos reveladas as escalas de prioridade dos consumidores.

"A importância de ajustar seu desejo ao contexto imediato, de imitar sua classe social ou a classe profissional a que pertence e a vontade de se diferenciar do seu meio social, complicam a compreensão de seu comportamento. Consumindo, esse indivíduo pertence a um grupo e situa-se socialmente."
(NALINI; COELHO, 2017)

Bauman (1998) define que o consumidor da sociedade de consumo (a que vivemos hoje) é completamente diferente dos consumidores das sociedades anteriores, pois vivem um dilema: "será que é necessário consumir para viver ou se o homem vive para poder consumir". Indo além, ele questiona se "ainda somos capazes e sentimos a necessidade de distinguir aquele que vive daquele que consome".

Baseados nas ideias de Bauman (2008), Nery, Torres e Menêses (2012) explicam que

"Diferentemente de Consumo, que é uma característica e uma ocupação dos seres humanos como indivíduos, o Consumismo é um atributo da Sociedade. Para isso, é preciso que as pessoas tenham a capacidade de querer, desejar, almejar, da mesma forma que tinham a aptidão do trabalho na sociedade de produtores; `destacada`, `alienada` dos indivíduos e reciclada numa força externa que coloca a `sociedade de consumidores` em movimento e a mantém em continuidade como uma forma específica de convívio humano, enquanto ao mesmo tempo estabelece parâmetros para as estratégias individuais de vida que são eficazes e manipula as probabilidades de escolha e conduta individuais." 

Já Nalini e Coelho (2017) recorrem a Weber, que questiona que "se o consumo é característico dos seres humanos como indivíduos, o consumismo é atributo da sociedade, que manipula as escolhes e preferencias individuais. Trata-se da reciclagem das vontades, desejos e anseios da humanidade, transformados em mola mestra propulsora da sociedade". 



Quando o consumismo pode ser entendido como uma patologia

No artigo Um breve ensaio da Psicologia acerca do comportamento consumista da sociedade, Nery, Torres e Menêses (2012) lembram que  consumismo pode ter critérios racionais, emocionais; que sofrem influências sociais e culturais; dependem do consumidor e do grau de importância do produto que ele deseja adquirir. 

Por um lado, temos a compra impulsiva, que se caracteriza pela vontade repentina e espontânea de adquirir um objeto específico, que tem um significado simbólico para o indivíduo (EDWARDS, 1993), em uma relação hedônica entre o consumidor e o produto (ARAVENA, 2006). 

Por outro lado, os pesquisadores usam diferentes estudos para tratar sobre o comportamento de compra compulsiva. Patológico, ele "advém de uma vontade avassaladora, incontrolável, crônica e repetitiva de comprar simplesmente com o intuito de amenizar os sentimentos de estresse e ansiedade". Nesse caso, não há foco no produto, e sim no prazer e alívio das sensações negativas proporcionadas pelo ato de comprar. 


Alguns detalhes sobre o comportamento de compra compulsiva (NERY, M.; TORRES, T; MENÊSES, 2012):

- a Oniomania (do grego onios, à venda, e mania, insanidade) é o termo técnico para o desejo compulsivo de comprar, mais comumente conhecido como síndrome do comprar compulsivo;

- também chamado de Transtorno do Comprar Compulsivo (TCC), atinge 5% da população mundial, segundo estimativas da OMS;

- pode haver comorbidade com o Transtorno do Comprar Compulsivo (TCC); a presença de sintomas como depressão, ansiedade, rejeição, devem ser tratados paralelamente à compulsão por comprar;

- assim como em relação ao álcool e às drogas, o compulsivo deve ficar sempre vigilante para evitar as recaídas;

- alguns sintomas dos shopaholics (compradores compulsivos): armários cheios de peças ainda não usadas, dívidas e ocultação das compras das pessoas próximas;

- a distinção entre compras normais e descontroladas não é feita com base no dinheiro gasto ou nível de renda, mas na extensão da preocupação, no nível de angústia pessoal e no desenvolvimento de consequências adversas. 

Assim, identificamos a importância de se trabalhar, nos consultórios, não apenas as questões do "comportamento de compra compulsiva" enquanto uma patologia, mas também a relação que as pessoas têm com os objetos, o ato de compra e consumo e seus impulsos.


Referências:

BAUMAN, Z. Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

BAUMAN, Z. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadorias. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. 

NALINI, L.; COELHO, C. (org). Teoria, pesquisa e aplicação em psicologia: processos comportamentais. Curitiba: Appris, 2017. 

NERY, M.; TORRES, T; MENÊSES, C. Um breve ensaio da Psicologia acerca do comportamento consumista da sociedade. In: Interfaces Científicas - Humanas e Sociais. Aracaju, V.01, N.01, p. 89-99. out. 2012. Disponível em: https://periodicos.set.edu.br/index.php/humanas/article/view/164/0. 
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Consumismo; Consumo; Patologias; Psicologia

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