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O bullying e o racismo

17 de Maio de 2019


Psicóloga Livia Marques*

Enquanto psicóloga, eu penso sempre em como podemos atuar de forma que possamos atender às demandas sociais. Não apenas de quem pode vir ao nosso consultório, mas daquelas pessoas que estão no posto de saúde ou no hospital público, nas ONGs ou nos atendimentos emergenciais que às vezes realizamos.

Dias desses ministrei um curso para professores de escolas públicas do Rio de Janeiro. Foi uma troca incrível. Alguns trouxeram o bullying como questão, relatando que alguns alunos adolescentes diziam que, na verdade, era racismo, mas que a diretora não estava entendendo esta fala. No curso as professoras, diretores e coordenadores me questionaram se é possível ter esse recorte. Minha resposta foi: "claro que sim!"

Percebam algumas das frases que esses alunos recebem:
Você tem cor de fezes, até cheira mal;
Prende esse cabelo de bombril, vai passar piolho pra todo mundo;
Você é preto e não é inteligente para fazer parte do nosso grupo.


Fica evidente a invalidação deste indivíduo, que está num processo de construção de sua subjetividade. Esta pessoa está se construindo como um ser humano, construindo e alimentando suas crenças funcionais e disfuncionais e também sua significação para lidar com as falas e comportamentos do mundo. E quando não há uma intervenção e acolhimento corretos nesses casos de bullying e, neste texto específico, o bullying com recorte racial, não é possível termos uma pessoa saudável psicologicamente.

Este indivíduo dificilmente se sentirá pertencente. Por isso, é importante levarmos o ensino e a conversa sobre o racismo para nossas escolas. É fato já comprovado em textos acadêmicos e pesquisas que as crianças não nascem racistas e que aprendem a serem racistas, absorvendo como esponjas o que seus espelhos refletem no dia a dia, seja numa fala, num olhar ou num gesto.

Precisamos realizar este recorte e levar esse conhecimento para todas as pessoas que trabalham com pessoas, pois ele será necessário até para que uma intervenção correta seja bem-feita. Na maioria dos casos a frase "deixa pra lá, a sua cor é linda" é muito utilizada, especialmente no privado (com a vítima), não sendo usada e trabalhada no coletivo. No privado a frase não surtirá efeito; sem trabalhar o coletivo, menos ainda. Além disso, é importante que a escola e a/o psicóloga/o entenda como é a dinâmica doméstica com crianças que reproduzem o racismo e como é a dinâmica de quem sofre o racismo. A rede de apoio é essencial e precisamos intervir devidamente dentro do contexto para atuarmos de forma mais eficaz.

O Racismo no Brasil é estrutural e precisamos, como profissionais da saúde e da Psicologia, entender como essa dinâmica afeta o dia a dia da sociedade.

Sobre a autora:
Livia Marques é psicóloga (CRP 05/37353), palestrante, professora universitária, escritora e coordenadora do livro "Desafios de Educar volume I e II"
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Tags

bullying, docência, psicologia, racismo

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