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Reflexões sobre o Transtorno do Espectro Autista

23 de Abril de 2019

Por Deivid Sampaio 
e Juliana Ventura*

Abril é o mês de conscientização do Transtorno do Espectro Autista - TEA. Um mês muito importante para todos nós que atuamos diretamente nessa causa e que buscamos, das formas mais diversas, orientar, esclarecer e levar conhecimento científico acerca do transtorno para o maior número de pessoas possível. O TEA de acordo com o DSM-5, é caracterizado por dificuldades na comunicação e interação social e pela presença de comportamentos restritos, repetitivos e estereotipados, podendo ou não estar acompanhado de alterações no processamento sensorial.

É um diagnóstico difícil e delicado de ser dado, pois envolve um olhar multidisciplinar para as diversas áreas do desenvolvimento infantil. Tanto avaliar, quanto intervir, requer um conhecimento profundo acerca do transtorno, onde devemos abrir nosso nicho de saberes e navegar nas áreas da Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Nutrição, Desenvolvimento Infantil, Psiquiatria e da Neurologia. Nenhuma criança com Autismo é igual a outra, por isso, essa ideia do espectro, pois a gravidade dos sintomas é muito variável. Infelizmente hoje, vemos na prática que o Autismo virou um mercado, e nem sempre o que encontramos são tratamentos e profissionais capacitados para intervir com esse público. Estudar e se atualizar na área é extremamente importante.


A literatura científica atual aponta que a intervenção intensiva, com sugestão de 15 a 40 horas semanais é a única maneira de conseguirmos avanços robustos e significativos no desenvolvimento dessas crianças. Outro dado importante é que, quanto mais precocemente se inicia essa intervenção, mais chances a criança tem de se desenvolver, devido a neuroplasticidade do cérebro. 

Hoje, tais estudos mostram que as intervenções baseadas na Análise do Comportamento Aplicada - ABA, são as que mais trazem resultados no desenvolvimento e na aquisição de habilidades para essas crianças. Dentre elas estão o Early Start Denver Model - ESDM, o Pivotal Response Training - PRT e as intervenções de ensino estruturado utilizando a ABA. A Musicoterapia, bem como o TEACCH são propostas que também trazem resultados, mas não existem estudos consistentes utilizando essas abordagens.

Independente da abordagem utilizada, ela precisa ser intensiva, como citado anteriormente, e para que isso aconteça, treinar o pais é a melhor maneira de conseguir que isso seja efetivo. Os grandes centros de pesquisa em Autismo dos EUA apontam que nas terapias onde os pais são envolvidos, os ganhos são mais significativos. Portanto, se o profissional tem apenas uma hora por semana para atender a criança com Autismo (realidade brasileira devido ao alto custo do tratamento ou então pelo serviço público oferecido), a regra é treinar os pais, para que eles sejam co-terapeutas e consigam desenvolver nas crianças todas as suas potencialidades. 

As pesquisas e a prática têm mostrado que quando os pais são envolvidos na terapia e conseguem observar e participar dos avanços do filho, isso gera um sentimento de confiança e esperança na família que pouco conseguimos de outro modo. Quando esse sentimento é despertado nos pais, o engajamento no processo terapêutico se dá em maior consistência e isso é fundamental para o prognóstico da criança.

Por fim, é importante também ressaltar o contínuo processo de estudo e capacitação do profissional, pois a todo o momento novas descobertas estão sendo feitas, novas pesquisas publicadas e é papel do terapeuta estar atento há tais pesquisas e aos modelos baseados em evidências, com objetivo de orientar a família de maneira ética e responsável sobre os tratamentos disponíveis no mercado e também sobre mitos e verdades acerca do transtorno. 


Sobre os autores: 

* Deivid Sampaio é psicólogo (CRP 04/25110) Especialista em TCC da Infância e Adolescência; tem formação no Protocolo TRI, em Neuropsicologia do Desenvolvimento e Treinamento de Pais; Especializando em Transtorno do Espectro Autista.  

* Juliana Ventura é psicóloga (CRP 04/24965) Especialista em Educação Especial, Neuropsicologia e TCC da Infância e Adolescência; tem formação em Reabilitação Neuropsicológica e no Protocolo TRI; Especializanda em Transtorno do Espectro Autista.   
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Tags

Autismo, Psicologia, TEA

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