Suicídio: orientações para atuação do psicólogo frente ao risco - Sinopsys Editora

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Suicídio: orientações para atuação do psicólogo frente ao risco

Suicídio: orientações para atuação do psicólogo frente ao risco

09 de Setembro de 2021

A atuação do profissional da Psicologia frente ao risco de suicídio engloba uma série de estratégias e ferramentas de cuidado, tais como avaliação, intervenção em crise e continuidade do cuidado.

A avaliação do risco de suicídio é a ação que define o norte da conduta clínica de cada caso. É um momento importante que envolve conhecimento técnico do psicólogo sobre comportamento suicida (principais fatores de risco e proteção, psicodinâmica, etc), técnicas de avaliação psicológica (entrevista, testes projetivos e outros instrumentos de avaliação psicológica), técnicas de intervenção em crise e preparo pessoal por meio da supervisão.

Não há ainda instrumentos ou técnicas de predição do comportamento suicida. Entretanto conhecimento científico sobre o tema permite ao psicólogo identificar as pessoas em maior risco e tomar as medidas necessárias para ajudá-las a superar esse momento.

Avaliar o risco de suicídio por meio de perguntas diretas pode gerar receio e constrangimento, mas, quando essa abordagem é cuidadosa, sincera e respeitosa, fortalece o vínculo do psicólogo com o paciente e abre espaço para a fala.

PROJETO TERAPÊUTICO SINGULAR


O Projeto Terapêutico Singular (PTS) pode ser uma ferramenta importante para ser utilizada pelo psicólogo no cuidado do paciente com comportamento suicida.

Trata-se de um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas para um indivíduo, uma família ou um grupo que resulta da discussão coletiva de uma equipe interdisciplinar com apoio matricial, se esse for necessário.

Geralmente é dedicado a situações mais complexas. Pode ser uma ferramenta de cogestão e compartilhamento do cuidado que se desenvolve em quatro momentos: diagnóstico, definição de metas, divisão de responsabilidade e reavaliação.

INTERVENÇÃO EM CRISE


Já a intervenção em crise permite a utilização de diversas técnicas, geralmente mais diretivas, por parte do profissional da Psicologia. Tem o objetivo de proteger a vida, diminuir riscos e sequelas e fazer o paciente retomar o equilíbrio para permitir a conquista de outros objetivos terapêuticos.

Nesse caso, a abordagem multidisciplinar deve ser preferencialmente adotada, trazendo benefícios para a conduta terapêutica por meio do compartilhamento de saberes e responsabilidades.

Dependendo do grau de risco de suicídio, a conduta pode variar desde a necessidade de acionamento de serviços de urgência e emergência, quebra de sigilo, envolvimento da família, internação domiciliar, até o acompanhamento ambulatorial com o número de sessões usuais.

A disponibilização de canais de ajuda 24 horas é importante para que a pessoa possa ter acesso a algum suporte em momentos mais críticos. Alguns psicólogos se disponibilizam a prestar esse atendimento emergencial por telefone, mas também é possível oferecer outros canais como pronto atendimentos e Centro de Valorização da Vida (CVV).

CÓDIGO DE ÉTICA


Além da expertise e sensibilidade de perceber sinais diretos ou indiretos da ideação suicida, o grande desafio do psicólogo é saber como acolher a pessoa em sofrimento e como manter uma postura ética diante de tal possibilidade.

Enquanto se acolhe o sofrimento, individual ou coletivo, é possível detectar as intenções e desejos de morte expressos nas diversas linguagens, verbais e não verbais. E diante da imposição ética de se manter o sigilo, pode surgir a dúvida sobre qual a melhor conduta a tomar para prevenir.

O Código de Ética Profissional do Psicólogo determina, no artigo 9º, que é dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações a que tenha acesso no exercício profissional.

Mas esclarece no artigo 10º que o psicólogo pode decidir pela quebra de sigilo, baseando sua decisão na busca do menor prejuízo. No caso específico de se ter informação sobre as intenções suicidas, não quebrar o sigilo pode, portanto, ser configurado como omissão de socorro.

E omissão de socorro não é apenas uma infração ética, mas se encontra no rol de crimes do Código Penal Brasileiro.

NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA


E de acordo com a Lei nº 13.819/2019, que institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, os casos suspeitos ou confirmados de violência autoprovocada são de notificação compulsória pelos estabelecimentos de saúde públicos e privados às autoridades sanitárias.

Portanto casos de tentativa de suicídio devem ser notificados, obrigatoriamente, em até 24 horas do conhecimento do evento pelo profissional da Psicologia, tendo em vista a necessidade de intervenções emergenciais e maior efetividade da intervenção em crise em curto período, como articulação e encaminhamento para rede psicossocial.

CONTINUIDADE DO CUIDADO


O cuidado com a pessoa que tentou suicídio precisa ser contínuo. Isso se deve à tendência de nova tentativa e de forma mais letal.

Por isso, é importante que profissionais da Psicologia desenvolvam ações articuladas para garantir a continuidade do cuidado a essas pessoas na rede assistencial, desenvolvendo uma linha de cuidado integral, que contemple ações de vigilância, monitorando-se em especial as pessoas mais vulneráveis.

GRUPOS DE APOIO


Por sua vez, os grupos de apoio são ferramentas de produção de socialização e vínculo. É possível organizar grupos a partir de identidades, comportamentos e situações que aumentam as chances de suicídio, já que são situações comuns à experiência de um grupo de sujeitos.

Em caso de morte por suicídio, uma estratégia de cuidado que cabe ao profissional da Psicologia é o apoio para familiares e amigos em luto, visto que esses possibilitam trabalhar questões da perda e do seu enfrentamento, participando do processo de ressignificação e reconstrução.

Essa intervenção pode ser feita por meio de grupos nos quais é possível trabalhar as vivências de enlutados, seus sentimentos, a falta que a pessoa falecida faz, conhecer e aprender com outros passando por esse tipo de perda.

SUPERVISÃO E TERAPIA PESSOAL


Lidar com o cuidado de pessoas com comportamento suicida sempre é um desafio para profissionais de Psicologia, pois pode produzir sentimentos desconfortáveis.

Por isso, é importante que eles considerem a supervisão de outro profissional de saúde mental para ajudar a estabelecer o atendimento terapêutico da pessoa acompanhada.

Também é importante que o psicólogo faça terapia pessoal. A junção da supervisão com a terapia é fundamental para a saúde mental do terapeuta.
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Tags

Setembro Amarelo, Prevenção, Suicídio, Terapia, Saúde mental.

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