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O papel do fracasso na formação do terapeuta

03 de Abril de 2019
















* Heitor Pontes Hirata

Quando lemos vinhetas de caso clínico em livros, parece que todas as intervenções dos autores são bem sucedidas. O caso mais clássico é o da famosa Sally do livro Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática, de Judith Beck. Ao ir a congressos, simpósios e encontros científicos, é comum nos depararmos com apresentações de caso clínico com intervenções de sucesso e grande avanço no quadro de pacientes que, inicialmente, pareciam não ter bom prognóstico. 


Além disso, praticamente todos os pacientes que nos procuram no consultório vêm com grande expectativa sobre a eficácia do tratamento, o que é natural. Mas nem sempre conseguimos atender a tudo que se espera da psicoterapia (e por isso é importante reestruturar expectativas irreais). O fato é que todo (a) terapeuta tem casos de fracasso em sua história de prática clínica. Pode ser aquele paciente que sumiu, o que interrompeu o tratamento de maneira inesperada ou, ainda, o que comunica que irá procurar outro profissional. É comum sentir frustração nesses casos e ela pode ser útil para nos fazer pensar sobre o que fizemos (ou não) de errado, o que é essencial para o processo de formação de um terapeuta. 



Principalmente quando somos terapeutas iniciantes, tendemos a cometer alguns equívocos, como 

* fazer anotações excessivas sem pedir permissão ao paciente; 

* aplicar muitas técnicas logo nas primeiras sessões sem ter um entendimento do caso; 

construir pouco a relação terapêutica; 

não demonstrar compreensão e empatia por meio de linguagem verbal e não-verbal; 

* tentar ser muito didático ou professoral de forma que isso afete a escuta. 


No entanto, terapeutas experientes também podem cometer erros, pois estão em constante formação. Dificilmente um profissional deixará de cometer erros e ter fracassos em sua trajetória. Como não estamos diante de uma ciência exata, não há um cálculo que possa nos fazer prever exatamente o que dará certo ou não (mesmo com uma prática baseada em evidências, nem todo paciente obterá benefícios do tratamento da mesma forma que outros). Muito dependerá da resposta e engajamento dele (a) à terapiaClaro que os terapeutas podem trabalhar suas habilidades. Aqui estou partindo do princípio que o terapeuta busca qualificação e treinamento e, mesmo assim, fracassa. 


Mas se o fracasso é comum, por que nós terapeutas não costumamos falar sobre eles? Por que muitos se culpam excessivamente por não ter alcançado determinado resultado em um caso? Ao supervisionar colegas menos experientes, é comum perceber a forte frustração e culpa associados à ideia de que fracassou em um ou mais atendimentos. Em dinâmicas vivenciais com terapeutas em workshopsé frequente quase todos, em algum momento, dizer que, no fundo, se acha um (a) fracassado (a) mesmo tendo êxito na maioria de seus atendimentos. Essa "sensação de fracasso" parece nos acompanhar independentemente do número de vezes que conseguimos ajudar pessoas. Vamos pensar: se inevitavelmente não alcançaremos resultados satisfatórios com alguns pacientes e estamos fazendo o possível para sermos bons terapeutas, faz sentido que isso seja entendido como sinal de fracasso? Há uma diferença entre ser um fracasso como profissional e ter fracassado em alguns casos? A resposta é não para a primeira pergunta e sim para a segunda. Alguns encontros terapêuticos ocorrem em um momento em que não há contexto para a mudança e a causa disso pode ser múltipla. O paciente pode não estar pronto para mudar ou a situação de vida dele ou dela é um impeditivo atual para a modificação de alguns padrões. 


Seja qual for o motivo, é fundamental todo terapeuta reconhecer o fracasso terapêutico como um processo natural do desenvolvimento profissional. Ele pode fazê-lo repensar posturas em sessão, emprego de técnicas, aceitar ou não novos pacientes com o mesmo perfil daquela pessoa que deixou a terapia, o que estudar mais e outros comportamentos que o tornarão mais próximo do psicoterapeuta que você quer ser. 

 

Sobre o autor: 

Heitor Pontes Hirata - Psicólogo (CRP 05/37196) com Licenciatura Plena pela UFRJ. Especialista em Psicologia Clínica (IPCS/CFP) com certificação em terapia cognitiva pela Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Doutor e Mestre em Psicologia pela UFRJ. Membro diretor da Associação de Terapias Cognitivas do Estado do Rio de Janeiro (ATC-Rio). Primeiro autor da adaptação de terapia metacognitiva para crianças e dos livros infantis "Preocupanda & Marrumina, entendendo a preocupação e a ruminação na criança" e "Meu animalzinho morreu: ajudando crianças a lidar co ma perda do seu bicho de estimação" (Sinopsys Editora).  


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fracasso, Psicologia

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